segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Um dia de fúrias

Maurílio era um jovem bonito, forte, saudável e tentava ser, o quanto conseguia, politicamente correto. Não bebia, não fumava, gostava de jogar bola, amava sua namorada, respeitava seus pais e incomodava-se com as injustiças sociais. Maurílio tinha seu carro, mas gostava de andar de bicicleta, afinal, era uma forma de contribuir para o mundo. Ele se chateava com a falta de educação das pessoas no trânsito. Estava cansado de quase ser atropelado por motos, carros, caminhões e, até, bicicletas.
Quando estava em seu carro, Maurílio irritava-se com as buzinadas distribuídas gratuitamente por outros motoristas, irritava-se também como os motoristas que tentavam atingir altas velocidades em vias movimentas, com aqueles que faziam do asfalto um campo de futebol e tentavam driblar os demais jogadores. Maurílio não gostava de discutir, mas com o tempo foi adquirindo o hábito de dar bronca nos condutores que ele julgava errado.
Um dia, quando tentou dar bronca num adolescente que, com o carro cheio de outros adolescentes, chocou-se contra o seu carro, Maurílio precisou correr para não ser espancado. Humilhado, Ele decidiu que compraria uma pistola. Não tinha a intenção de matar ninguém. Queria se proteger contra os mais violentos. Impor algum terror e mostrar que, às vezes, as pessoas não sabem com quem estão falando. Se era difícil ser respeitado, então, ele seria temido. Mas não por todos, apenas por aqueles que tentassem impingir-lhe medo.
Enquanto juntava dinheiro para comprar a pistola, Maurílio passou a andar com um taco de beisebol dentro do carro. A cidade era uma loucura. Superpopulosa. A tarifa de ônibus era absurdamente cara. Não compensava andar de ônibus. Era preferível ter seu próprio veículo. Assim todos pensavam e assim quase todos faziam. Colisões. Machucados. Mortos.
Josué era um policial militar. Havia acabado de entregar seu plantão. Estava cansado de lidar com vagabundos. Não via a hora de chegar em casa, comer e dormir. Num cruzamento a meio caminho de sua casa, um carro para bruscamente em sua frente. Josué não consegue ultrapassá-lo, pois as outras pistas estão muito movimentadas. Ele buzina e logo em seguida grita:
- Ei, tira essa lata velha daí da frente!
O outro responde:
- Se tá com pressa, passa por cima, otário!
Josué desce e vai até o carro da frente.
- Como é que é, meu irmão? Tira logo essa porra daí! Sai e chuta o carro.
O outro desce do carro segurando um taco de beisebol.
Josué não pensou duas vezes, sacou sua arma e deu três tiros no rapaz. Ele jamais admitiria tamanha afronta. às vezes, as pessoas não sabem com quem estão falando. Talvez, nunca saibam.

7 comentários:

  1. Ei, gostei muito. Só nos faz lembrar que violência gera violência. Atitudes, gestos e até mínimos pensamentos nos levam a cometer a barbarie.

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  2. "em verdade desdigo
    na realidade é tudo alusão
    nada fica pra vingar
    o sangnificado"

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  3. É isso mesmo: Precisamos comprar uma arma que seja possante (nada de 3 oitão, porque seria preciso chegar bem pertinho se não o tiro desvia, essas armas são uma merda), de modo que a gente possa atirar de dentro do carro mesmo, pra apoiar melhor o cano na janela do carro enqaunto a azêmola violenta olha abestulhado a saída das balas todas daquele cano grandão.
    Assim ficamos redimidos com um ufa! quando o cara cair com a cara toda em frangalhos: Todos os que sobrevivem a isso (os que assistem) saberão com quem virão a falar!

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  4. Pra resolver tem que ser na base do sangue mesmo!!


    Amém

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  5. O texto é bem sinistro hein Professor? mas igualmente provável..

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  6. Professor, já postei, vê o que o Sr. acha... ow, vc viu lá, eu disse matéria, não post, uaehuhaeuhea.. to andando muito com o Evandro, já to me achando um jornalista/publicitário/importante.. haeuhueahuea

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