terça-feira, 18 de outubro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Nietzscheando

Brincando de jogar bola
não criei um inimigo,
não fiquei doente à toa
nem fiquei de mal comigo.

sábado, 27 de agosto de 2011

Em débito


(Em memória de D. Rita Furtado)

Sinto que a minha vida
é cada vez menos minha.
Devo muitos favores.
Por mais que, a quem devo, não me cobre,
minha dívida é ética, estética, filogenética.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Mais um desengano da vida

− Você gostou das flores que eu mandei pra você?
− Sim, muito.
− Viu quanta coisa bonita existe nessa vida?
− E vi o quanto elas duram pouco também.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Sobre Budapeste, de Chico Buarque.

 O texto abaixo surgiu a partir da fala de Adão Jildo Viotto, no seminário final do curso de elaboração de projetos, realizado pelo departamento de Línguas Vernáculas da Unir. Esse texto apenas intenta ampliar a discussão e inserir algumas interpretações.

Segundo Leyla Perrone-Moisés, “Uma das principais características da transformação sofrida pelas obras literárias, a partir do fim do século XIX, é a multiplicação de seus significados, que permitem e até mesmo solicitam uma leitura múltipla”. O contato com o romance Budapeste de Chico Buarque não deixa dúvidas que a leitura desse romance não pode ser outra que não leitura múltipla. A começar pelo livro enquanto objeto.
Ao abrir o livro, é possível perceber que a contracapa parece ser reflexo da capa, como num espelho, duplicando a sua imagem. No entanto, assim como a vaca se olhava no espelho e se via borboleta, à altura do nome do escritor do livro, Chico Buarque, aparece o nome de um personagem do romance, também escritor, José Costa.
Por que um nome tão comum quanto José estaria ali como um reflexo alterado do nome do autor do romance? Por que Costa? Se um livro é um corpo, a contracapa é as suas costas. Estaria o personagem por trás do autor? Ou seria o contrário? Costa, segundo o minidicionário Aurélio, também pode significar “litoral, região banhada pelo mar”. Região pela qual se teria acesso ao continente? Talvez, depende da costa ou do Costa.
Outra pluralidade de significado salta ao se falar de um deus “desumano”. Pela recorrência de uso do vocábulo “desumano”, se chegará primeiro àquilo que é cruel, capaz de maldades. Tal ideia fugirá da imagem cristã hodierna que se tem: um deus bom e misericordioso. Contudo, o termo ainda pode ser encarado como o não-humano, dirigindo-se a algo mágico, sobrenatural e extraterreno ou, até mesmo, ficcional. Esse deus desumano = não-humano pode ser bom como os anjos ou mau como os demônios, ambos seres igualmente ficcionais, ou pode ainda ser uma mistura dos dois, tal como monstros que são bonzinhos ou príncipes que são malvados, isto para citar a cinematografia de animação moderna.
Os pontos acima citados são apenas dois dos muitos e múltiplos significados que podem ser encontrados na obra de Chico Buarque, Budapeste.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Um dia de fúrias

Maurílio era um jovem bonito, forte, saudável e tentava ser, o quanto conseguia, politicamente correto. Não bebia, não fumava, gostava de jogar bola, amava sua namorada, respeitava seus pais e incomodava-se com as injustiças sociais. Maurílio tinha seu carro, mas gostava de andar de bicicleta, afinal, era uma forma de contribuir para o mundo. Ele se chateava com a falta de educação das pessoas no trânsito. Estava cansado de quase ser atropelado por motos, carros, caminhões e, até, bicicletas.
Quando estava em seu carro, Maurílio irritava-se com as buzinadas distribuídas gratuitamente por outros motoristas, irritava-se também como os motoristas que tentavam atingir altas velocidades em vias movimentas, com aqueles que faziam do asfalto um campo de futebol e tentavam driblar os demais jogadores. Maurílio não gostava de discutir, mas com o tempo foi adquirindo o hábito de dar bronca nos condutores que ele julgava errado.
Um dia, quando tentou dar bronca num adolescente que, com o carro cheio de outros adolescentes, chocou-se contra o seu carro, Maurílio precisou correr para não ser espancado. Humilhado, Ele decidiu que compraria uma pistola. Não tinha a intenção de matar ninguém. Queria se proteger contra os mais violentos. Impor algum terror e mostrar que, às vezes, as pessoas não sabem com quem estão falando. Se era difícil ser respeitado, então, ele seria temido. Mas não por todos, apenas por aqueles que tentassem impingir-lhe medo.
Enquanto juntava dinheiro para comprar a pistola, Maurílio passou a andar com um taco de beisebol dentro do carro. A cidade era uma loucura. Superpopulosa. A tarifa de ônibus era absurdamente cara. Não compensava andar de ônibus. Era preferível ter seu próprio veículo. Assim todos pensavam e assim quase todos faziam. Colisões. Machucados. Mortos.
Josué era um policial militar. Havia acabado de entregar seu plantão. Estava cansado de lidar com vagabundos. Não via a hora de chegar em casa, comer e dormir. Num cruzamento a meio caminho de sua casa, um carro para bruscamente em sua frente. Josué não consegue ultrapassá-lo, pois as outras pistas estão muito movimentadas. Ele buzina e logo em seguida grita:
- Ei, tira essa lata velha daí da frente!
O outro responde:
- Se tá com pressa, passa por cima, otário!
Josué desce e vai até o carro da frente.
- Como é que é, meu irmão? Tira logo essa porra daí! Sai e chuta o carro.
O outro desce do carro segurando um taco de beisebol.
Josué não pensou duas vezes, sacou sua arma e deu três tiros no rapaz. Ele jamais admitiria tamanha afronta. às vezes, as pessoas não sabem com quem estão falando. Talvez, nunca saibam.