quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sempre o amor


Sim, eu te amo.
Assim, neste presente infinito.
Fizeste muito por mim e,
mesmo que não tenha percebido,
também fiz por você.
Descuidamo-nos?
Tivemos outras prioridades.
Mas eu te amo
e te acompanho,
à distância.
Mas ainda te amo
e te acompanho,
mas...
à distância.

sábado, 24 de novembro de 2012

De olhos bem abertos


Se estivermos atentos,
Nossos olhos encontrarão a beleza,
Ainda que frágil, delicada e escondida.
Encontrarão a maldade, sempre irracional.
Encontrarão tudo o que a vida oferece.
A vida nos obrigará escolhas
E nos responsabilizará por elas.
Existir é estar exposto
E se estivermos dispostos,
Também podemos aproveitar.

Breve tratado sobre a pimenta malagueta


Ao iniciar sua fase de maturidade
a pimenta malagueta adquire uma cor vibrante,
um corpo escultural, sensual e atraente.
Ela se torna gostosa e,
por vezes, perigosa,
podendo nos queimar a boca, a língua, o cu.
Fora dos seus ou dos nossos limites,
a pimenta malagueta pode nos matar.
Com sua ardência,
esta pimenta assusta aos desavisados,
deleita os cuidadosos e penaliza os desrespeitosos.
Ela é pequena e poderosa.
Bela e selvagem.
Sua delicadeza não é fragilidade,
sua rusticidade não é grosseria,
o que a faz tão natural
quanto as melhores obras de Deus.

domingo, 11 de novembro de 2012

[Sem nome, por enquanto.]


Não fingirei ter felicidade,
Quero-a plena e contagiosa.
Que seja sinônimo de saúde, beleza, sucesso.
Que seja o amor
Na sua mais perfeita complexidade:
Confiança, tesão, generosidade.
Estamos tão sós, quanto não seríamos ninguém,
Se estivéssemos completamente sós.
Não fingirei a felicidade,
Porque isso é ainda mais triste.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Tríade da boca suja


Zoofilia (a sarga, quando jovem)

Desde as primeiras vezes que a vi,
meu desejo era
chupar suas tetas e comer sua carne.
Tão gracioso é o balançar de seu rabo.
Quero comê-lo também.
Diante de uma anca dessa,
qualquer um perderia a linha.
Leite e carne.
Nietzsche sabia das coisas.
Mostrou que era doido de verdade,
quando se atracou ao seu jumento.
Eu também sou muito doido.
Vou me atracar a ela.
Chuparei suas tetas,
comerei sua carne
e comerei seu rabo.
É isso mesmo.
Pode deixar que
eu irei até você,
minha vaquinha
gostosa.



Ciências Humanas

− A História e a Sociologia
são a mesma coisa, professor?
− Claro que não!
São como o cu e a buceta,
que estão próximos,
mas são bem diferentes.



Ode a Glauco Mattoso

Glauco, eu te amo
e te comeria
antropofagicamente.
Você pode estar
cego, velho, careca,
mas sua poesia
ainda dá muito tesão
e você deve ser comido.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Tragédia

Caminhávamos pela estrada asfaltada que corta a floresta. Era noite escura. À direita, à beira da estrada, cadáveres de pessoas, bichos mutilados, muitos a queimar. Poucos de nós tínhamos condições de caminhar. Chorávamos o quanto podíamos e não podíamos muito. O caminho ainda seria longo, sobretudo, para os mais jovens, mas eles pareciam ter mais força e acho que tinham mesmo.
- O que teria acontecido ao motorista do caminhão de bois? O que o fez vir contra nosso ônibus?
Só alguns de nós conseguíamos nos perguntar isso.
- Que diferença faria saber?
- Algumas respostas, por mais que não justifiquem, ao explicar elas confortam, numa espécie de misericórdia a qualquer das partes.
À entrada da cidade, à qual chegávamos, havia uma igreja. A maioria de nós, já poucos, se sentiu socorrido. As pessoas daquela igreja pareciam ter algumas respostas e, melhor que isso, pareciam querer nos confortar. Eu me sentia falso diante delas e dispensei a sua ajuda.
- Teria eu aprendido a viver sem respostas? As angústias seriam iguais para todos?
- Certamente não. Quem faz perguntas vive mais angustiado e quem não as faz encontra a verdade, nem sempre verdadeira ou reconfortante.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011