quarta-feira, 1 de setembro de 2010

No auditório

era um evento grande, um concerto de rock. o auditório estava lotado. ela estava em um dos corredores, próxima às cadeiras de trás, conversando com algumas pessoas. ela estava longe dele. ele, por fazer parte da organização do evento, quando não estava no palco ou no camarim conversando com os artistas, estava na primeira fila de cadeiras, avaliando o andamento do show. esse auditório localizava-se dentro de uma galeria de artes, havia corredores compridos, quadros nas paredes, salas com vitrines...
   existia uma coisa que o preocupava mais que o concerto: ela. preocupado com o prossecução desse grande evento, ele também se preocupava em dar atenção a ela. estaria ela gostando daquilo: do show e da preocupação dele com o show? foi então que, dotado de uma imensa carência afetiva, ele saiu a procurá-la. ela não estava mais naquele lugar do corredor. onde estaria? quem seriam as pessoas com quem conversava? ele não as conheceu nem as reconheceria. Procurou pelos corredores, pelas salas com vitrines, nos banheiros, onde teve a sensação de estar em uma gaiola flutuante lotada de galinhas, muitas delas, mortas. procurou, procurou, procurou...
     numa ante-sala, em uma das entradas do auditório, ele ouviu um comentário que pareceu ser sobre ela. não quis verificar sua desconfiança. entrou no auditório e passou a assistir o show à distância.

Nenhum comentário:

Postar um comentário